Pessoa Idosa

Avaliação Inicial na APS

Roteiro prático para acolhimento, rastreio de riscos, funcionalidade, cognição, medicamentos, rede de apoio e definição de prioridades no cuidado da pessoa idosa.

Roteiro APS

Avaliação inicial da pessoa idosa

Este roteiro foi elaborado com base no Caderno de Atenção Básica nº 19, Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa, e no Guia de Cuidados para a Pessoa Idosa, 2023. A proposta é apoiar uma avaliação inicial objetiva, humanizada e orientada à funcionalidade.

Acolhimento e humanização da comunicação

O primeiro contato deve estabelecer vínculo de confiança, respeito à dignidade e comunicação acessível.

  • Ação: chamar a pessoa idosa pelo nome, manter contato visual direto, posicionar-se de frente e garantir ambiente bem iluminado para facilitar a leitura labial.
  • Ação: não dirigir-se primeiro ao acompanhante. Partir do pressuposto de que a pessoa idosa é capaz de compreender, decidir e responder.
  • Ação: usar linguagem clara, frases curtas e objetivas, evitando termos técnicos, infantilização ou expressões como “vovô” e “queridinho”.
Referência: Caderno 19, p. 14-16 e 26.

Avaliação multidimensional rápida

Utilizar uma síntese de rastreio para identificar riscos, perdas funcionais e necessidades prioritárias de cuidado.

  • Nutrição: perguntar sobre perda de peso não intencional maior que 4 kg no último ano e verificar o IMC.
  • Visão: avaliar dificuldade para atividades diárias, como ler ou ver televisão. Usar o Cartão de Jaeger quando necessário.
  • Audição: aplicar o Teste do Sussurro a 33 cm de distância de cada ouvido.
  • Incontinência: questionar diretamente sobre perda involuntária de urina ou fezes e sobre o impacto social desses sintomas.
Referência: Caderno 19, p. 48-49, 92, 136-137.

Avaliação da funcionalidade

Determinar o nível de independência, autonomia e necessidade de apoio para as atividades do cotidiano.

  • Atividades básicas de vida diária: aplicar a Escala de Katz para avaliar autocuidado, incluindo banho, vestir-se, higiene, alimentação, transferência e continência.
  • Atividades instrumentais de vida diária: aplicar a Escala de Lawton e Brody para avaliar vida independente na comunidade, incluindo telefone, transporte, compras, finanças e medicamentos.
  • Mobilidade: realizar teste de levantar da cadeira, caminhar 3,5 m, voltar e sentar. Quando necessário, abrir ferramentas de mobilidade, como TUG, SPPB e Escala de Berg.
Referência: Caderno 19, p. 37-38, 49, 143-147.

Avaliação cognitiva e mental

Rastrear alterações cognitivas e sintomas depressivos que possam comprometer autonomia, segurança e adesão ao cuidado.

Referência: Caderno 19, p. 49, 103, 138, 142.

Revisão da terapêutica medicamentosa

Prevenir iatrogenias, eventos adversos e cascata iatrogênica, especialmente em pessoas com multimorbidade.

  • Ação: solicitar que a pessoa idosa traga todos os medicamentos em uso, incluindo prescritos, automedicados, fitoterápicos e suplementos.
  • Ação: identificar polifarmácia, definida como uso de cinco ou mais medicamentos, e investigar efeitos colaterais como tontura, quedas, confusão mental e sonolência.
Referência: Caderno 19, p. 31 e 57; Guia 2023, p. 53-54.

Rede de apoio e funcionalidade familiar

Compreender o contexto familiar, social e comunitário para planejar um cuidado viável e seguro.

  • Funcionalidade: aplicar instrumento de funcionalidade familiar quando disponível e registrar rede de apoio, cuidadores, vínculos e fragilidades percebidas.
  • Estrutura: construir o genograma, com árvore familiar de três gerações, e o ecomapa, com relações comunitárias e institucionais.
  • Cuidador: avaliar o estresse de quem cuida por meio da Escala de Zarit, prevenindo violência, negligência e esgotamento.
Referência: Caderno 19, p. 41-43, 168-176; Guia 2023, p. 135.

Definição de prioridades e elaboração do PTS

Construir um plano de cuidado pactuado com a pessoa idosa, família, cuidador e equipe multiprofissional.

  • Ação: listar problemas por ordem de prioridade, pactuando metas com a pessoa idosa para favorecer adesão e corresponsabilização.
  • Ação: elaborar o Projeto Terapêutico Singular, definindo metas de curto, médio e longo prazo e responsáveis por cada ação.
  • Ação: designar um profissional da equipe como referência do cuidado, responsável por coordenação e monitoramento periódico.
Referência: Caderno 19, p. 127 e 130-131.